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Observatório de Jornalismo Ambiental

Sábado, 23 de Setembro de 2023

 
     

Parque Harmonia, da negligência ambiental à jornalística

  

O jornalismo deve desempenhar o papel de oferecer contrapontos, conscientizar a população e incentivá-la a se engajar na preservação das áreas verdes urbanas

  


Por Mathias Lengert*

O dia 20 de setembro, que tradicionalmente celebra a cultura gaúcha, rememora não apenas o churrasco e a música típica, mas também a imagem do acampamento farroupilha no Parque Harmonia, em Porto Alegre. O local, que antes abrigava diversas espécies de árvores e animais, agora é cenário de devastação. Concedida ao poder privado, a área foi transformada em um vasto canteiro de obras, resultando na descaracterização da sua vegetação em prol de um projeto de desenvolvimento que ignora a importância das áreas verdes urbanas.

Alertas de ambientalistas e pesquisadores não são escassos, no entanto, são ignorados pelas autoridades públicas, ao passo que a mídia hegemônica gaúcha parece dar de ombros para essas preocupações.

Publicada no dia 19 de setembro, a notícia Parcerias com a iniciativa privada impulsionam desenvolvimento de Porto Alegre, da Rádio Guaíba, apresenta uma abordagem questionável da concessão da Orla do Guaíba, do Cais Mauá e do Parque Harmonia. O veículo assume uma postura pró-concessão ao descrever os projetos de revitalização em Porto Alegre como bem-sucedidos e promissores. Apesar de mencionar que uma parte da população questiona esse modelo de gestão, a reportagem se limita a ouvir apenas uma fonte: o Secretário de Parcerias e Concessões do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. O jornalismo, no entanto, possui a responsabilidade de ouvir vozes que constituam outras perspectivas, como cidadãos, movimentos sociais e especialistas em urbanismo, especialmente quando se trata de decisões que afetam os espaços públicos.

Além disso, embora enfatize a revitalização de espaços urbanos, a Rádio Guaíba não indica como essas concessões podem impactar o meio ambiente e as áreas verdes da cidade. Esse enfoque transforma a notícia quase que em uma peça de promoção dos interesses de atores que defendem esse modelo de urbanização.

É fundamental questionar que tipo de desenvolvimento está sendo priorizado em Porto Alegre e quais são os custos ambientais para a cidade. O jornalismo deve desempenhar o papel de oferecer contrapontos, conscientizar a população e incentivá-la a se engajar na preservação das áreas verdes urbanas.

 

Como bem expressou a professora Ana Maria Dalla Zen, “matar árvores tornou-se rotina em Porto Alegre”. Sua coluna sobre o arboricídio na capital gaúcha, publicada no Sul21, mostra que a destruição do Parque Harmonia é apenas uma peça em um projeto sistemático e abrangente que atua em várias frentes, suprimindo as áreas verdes da orla porto-alegrense. Este é um plano que negligencia os desafios urbanos contemporâneos, a necessidade de mitigação climática e a responsabilidade em relação às futuras gerações. Quando a imprensa relata esses eventos sem questionar as forças políticas que os impulsionam, acaba por adotar uma visão limitada do mundo.

 

 

* Texto produzido no âmbito do projeto de extensão "Observatório de Jornalismo Ambiental" por integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). A republicação é uma parceria com o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS). Mathias Lengert é jornalista, mestre em Comunicação e integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  
  
  
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Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
 
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