Untitled Document
Bom dia, 14 de abr
Untitled Document
Untitled Document
  
EcoAgência > Notícia
   
Rio+20

Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

 
     

Na raiz do problema

  

Padrões de produção e consumo foram assunto de destaque no primeiro dia do fórum da ICSU, no dia 11. Ao longo da semana passada, acadêmicos do mundo se reuniram no Rio de Janeiro para discutir temas ambientais em caráter preparatório para a Rio+20.

  

Flickr/ Storm Crypt – CC BY-NC-ND 2.0    
Mina a céu aberto nas Filipinas


Por Henrique Kugler - Ciência Hoje On-line / RJ

Não é de hoje: já se sabe, de longa data, que um dos mais sérios desafios ambientais que enfrentamos atualmente é o binômio produção e consumo. Foi pelos idos de 1987 que o assunto entrou em pauta, com a publicação do relatório Brundtland – que já na época questionava as doutrinas do industrialismo e do crescimento econômico a qualquer custo. Sempre, é claro, reverenciando o dogma do consumismo irrestrito e desenfreado.

O assunto rendeu, no dia 11, algumas reflexões por parte da comunidade científica. Reunidos na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), cientistas do mundo todo participaram do primeiro dia do fórum do Conselho Internacional de Ciência (ICSU, na sigla em inglês). Foi o principal evento acadêmico que antecedeu as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

“Não é novidade alguma o fato de que, hoje, o padrão de consumo observado no hemisfério norte é definitivamente insustentável, e o sul parece estar indo no mesmo caminho”, observou o químico holandês Philip Vergragt, da Clark University (Estados Unidos), dando início às discussões. “A novidade é que, ao contrário do que um dia pensamos, a tecnologia não poderá nos salvar”, concluiu. Afinal, o consumismo doentio, tal como o conhecemos hoje, está impregnado em nossa cultura – propagandas, anúncios e exortações do ato de consumir são onipresentes no mundo contemporâneo.

Vergragt deixou claro que, por mais que a ciência e a tecnologia possam, em alguma medida, amenizar os impactos ambientais de nossa cultura consumista, elas jamais poderão oferecer a todos os habitantes da Terra os mesmos padrões de vida e inserção no mundo do consumo como o conhecemos hoje. “Muitas forças, poderosas, mantêm-nos onde e como estamos, e por isso é tão difícil mudar.”

Boa notícia, porém, foi comentada por Ashok Khosla, representante do Painel Internacional de Recursos (IRP, na sigla em inglês, espécie de IPCC dos recursos naturais, mantido pela Organização das Nações Unidas). “Já temos soluções tecnológicas suficientes para reduzir em pelo menos cinco vezes a quantidade de recursos naturais que utilizamos para manter nosso sistema de produção de bens de consumo.” A afirmação se baseia em recente estudo publicado pelo Clube de Roma, o relatório Factor 5, de 2010. “Miniaturização e durabilidade são os dois conceitos fundamentais que podem impulsionar essa redução”, explica.

Mudança comportamental

“Mas ainda é pouco”, alerta Khosla. Para ele, as soluções tecnológicas não serão o bastante. Será a mudança comportamental das sociedades que definirá a tão almejada mudança de paradigmas. “Na natureza não há desperdício; materiais e processos são utilizados à eficiência máxima, e é nisso que a ciência de fronteira deve focar-se daqui em diante”, recomendou.

Aliviando o peso de nossas consciências, Lewis Akenji, do Instituto para Estratégias Ambientais Globais, lembrou que não serão nossas ações individuais as decisivas na construção de uma nova fase nos padrões de produção e consumo da sociedade contemporânea. “O sistema econômico vigente força o indivíduo a consumir irresponsavelmente, e é na essência de tal sistema que devemos trabalhar para reverter esta situação”, disse. Para ele, a busca pelo bem-estar foi deixada de lado em nome de uma busca cega, que é a busca pelo crescimento econômico a qualquer preço.

A economista alemã Sylvia Lorek, do Instituto de Pesquisa Europa Sustentável, concorda. “Não podemos nos distrair somente com as pequenas atitudes, com as pequenas mudanças que novos produtos e tecnologias podem trazer para nos auxiliar na minimização do problema. É o quadro geral do sistema econômico que impõe o grande desafio”, comenta Lorek.

“Podemos, individualmente, minimizar os impactos ambientais de nossas ações. Mas ainda assim estaremos no caminho errado”, defende. “Pois mesmo as pequenas evoluções, isoladas, não considerarão os limites naturais de nosso planeta.” Segundo a economista, são os governos que devem domar as iniciativas empresariais – o mundo dos business – de modo a garantir equilíbrio tanto no consumo quanto na exploração de recursos naturais. Por isso, finaliza Lorek, não precisamos apenas de inovação tecnológica. “Precisamos, sobretudo, de inovação social.”

Ciência Hoje On-line - RJ/ EcoAgência

  
  
  
Untitled Document
Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
 
Mais Lidas
  
Untitled Document
 
 
 
  
  
  Untitled Document
 
 
Portal do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul - Todos os Direitos reservados - 2008