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Economia

Quarta-feira, 27 de Junho de 2012

 
     

Economia verde: o Brasil na lanterna

  

Economista critica inserção brasileira no contexto da sustentabilidade ambiental, e garante que estamos muito atrasados no caminho rumo à economia verde.

  


Por Henrique Kugler - Ciência Hoje On-Line

Há tempos ouve-se por aí aquele papo de que o Brasil é um "país de futuro". Pois é, mas enquanto esse tal "futuro" não chega, o economista Cláudio Frishtak, diretor do International Growth Centre (IGC), não hesita em afirmar que somos “uma potência ambiental em potencial, mas apenas em potencial". Pois, na prática, a dita economia verde mal começou e já largamos nas últimas posições. "Poderíamos estar na fronteira da sustentabilidade, mas não estamos", lamenta Frishtak, que também é consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de presidente da Inter B Consultoria Internacional de Negócios.

Dos gastos totais em P&D no ano de 2010 no Brasil, apenas 2,64% foram destinados à construção de uma economia minimamente verde", disse. "Jamais seremos uma potência ambiental se este quadro permanecer", prevê o economista.

Maquiagem verde

Para exemplificar seu argumento, Frishtak afirma que o Brasil direciona generosos fomentos para a ampliação contínua de bens individuais, enquanto observa-se subinvestimentos nos bens coletivos. “Belo exemplo é o caso dos transportes", enfatiza. "Continuamos com investimentos maciços em tecnologias do passado, isto é, em transporte individual”.

Para Frishtak, é preciso analisar criticamente o fato de termos expressivos amparos fiscais à indústria automobilística e quase inexistentes incentivos à produção de energia solar. Mesmo na agricultura – em tese uma vocação brasileira – nós ficamos para trás. Segundo Frischtak, temos pouquíssimas patentes relacionadas à tecnologia utilizada em nossos cultivos (caso da cana de açúcar, soja, mandioca e eucalipto, por exemplo). Precisamente, das 1.246 patentes registradas no European Patent Office (EPO) entre 2006 e 2010 para estes produtos, somente 11 são brasileiras. Todas as demais ficam nas mãos de China, Estados Unidos, Alemanha e Japão – países que, mesmo sem grande tradição agrária, já estão anos-luz à nossa frente.

Quando o assunto é energia, os números também não contribuem com uma imagem “verde”. Em 2010, foram registradas no EPO 10.491 patentes resultantes de tecnologia em energia solar e eólica. A contribuição do Brasil, a despeito de seu potencial, foi de apenas 43, ou seja, 0,4%. “Muitos brasileiros se gabam por termos mais de 40% de nossa eletricidade baseada na matriz hídrica, supostamente limpa. Mas não poderemos contar vantagem por muito tempo”, alerta o economista. O mundo gira, e estamos ficando para trás; ainda não temos sequer regulação sólida para o setor de energia solar, como já existe na Alemanha, com grandes redes de produção fotovoltaica descentralizada.

A sonolência de nosso desenvolvimento “sustentável” não para por aí. “De todo o conhecimento em ecologia e meio ambiente produzido no mundo, apenas 3% têm origem no Brasil”, diz o Frischtak, frisando que pesquisa científica e inovação são as únicas formas de ingressarmos na economia verde. Estes números, e muitos outros, estão compilados no documento Vantagens comparativas, inovação e economia verde, publicado recentemente pelo economista.

No mesmo trabalho, ele também analisou o percentual de publicações de artigos científicos brasileiros em periódicos indexados (pela Thomson/ISI) em relação ao resto do mundo, entre 2007 e 2009 – com resultados também pouco dignos de comemoração. Para arrematar, Frischtak indaga: quem, no Brasil, hoje, trabalha com pesquisa e desenvolvimento em sustentabilidade urbana? "Estamos muito atrasados, muito mesmo." É claro que temos conhecimento sendo desenvolvido nesta área, majoritariamente em departamentos isolados em universidades. Mas ainda é pífia, segundo ele, a integração destes saberes com nossa realidade urbana.

Economia verde ou marrom?

O conceito de economia verde, para Frischtak, ainda está mal definido. Apesar de ser um dos principais motes da Rio+20, ninguém sabe ao certo o que se entende por este termo – que ainda é vago. O também economista Elieser Diniz, da Universidade de São Paulo (USP), concorda – ele, que é um crítico à forma como a discussão vem acontecendo, discorreu sobre o assunto em recente entrevista à CH On-line.

"No momento, só podemos afirmar, em linhas gerais, que é um norte para o uso mais responsável de nossos recursos naturais a partir de um novo padrão de produção e consumo", diz Frishtak. "Mas", questiona o economista, "como podemos chegar à economia verde se ainda mal chegamos à economia marrom?".

Ciência Hoje On-Line/EcoAgência

  
  
  
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