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Jornalismo Ambiental

Segunda-feira, 03 de Outubro de 2022

 
     

Maristela Crispim: principal desafio no país é reconstruir a política socioambiental

  

A conferencista abordou o desmonte ambiental e a crise climática no encerramento do V Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental

  

Imagem: captura de tela    
Conferencista do V ENPJA


Por Júlia Barth*

Os retrocessos socioambientais sofridos pelo Brasil nos últimos quatros anos mostram que levará tempo para que o país consiga se reestruturar e avançar novamente na pauta, destacou a Maristela Crispim. A idealizadora da agência de conteúdo Eco Nordeste realizou na noite de quarta-feira (28/9) a conferência de encerramento do V Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental (ENPJA).

Durante a conferência, a jornalista salientou que será preciso pressão social e principalmente uma imprensa atenta, que acompanhe de perto, as medidas ambientais tomadas nacionalmente. Segundo Maristela, as mudanças mais graves ocorreram na atual gestão governamental: “É inegável que o nosso país está abandonado em relação a fiscalização ambiental, os fundos ambientais também paralisaram e a participação popular nos conselhos foi cortada”. 

Para evidenciar tamanha precarização das políticas ambientais, a palestrante apresentou um documento da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) que lista diversos desmontes e ataques aos direitos socioambientais no Brasil. Entre os citados estão o desmatamento e as queimadas de áreas protegidas, o pouco avanço nas metas para combater as mudanças climáticas firmadas internacionalmente e o esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos de fiscalização e controle.

Outra pesquisa citada, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), mostrou que o orçamento federal para a proteção do meio ambiente em 2021 foi o menor dos últimos três anos. O valor do ano passado foi de R$ 2,49 bilhões, contra R$ 3 bilhões em 2020 e R$ 3,08 bilhões em 2019. Para a jornalista, isso significa zero investimento na área e serve para desmontar ainda mais as políticas públicas.

Crispim também abordou na conferência a gravidade do projeto de lei 191/2020 do Executivo, que tramita no Congresso (situação aqui) e visa permitir a mineração nos territórios indígenas (TI’s), e da votação da tese do marco temporal pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Se essa tese for aprovada, somente os povos originários que estavam nas terras em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, teriam direito à demarcação, comprometendo deste modo o que já foi conquistado e inviabilizando futuras demarcações. E por que os habitantes nativos não estavam nos territórios? Devido a expulsão provocada pelo agro-hidro-minero-negócio, como os movimentos socioambientais denominam hoje esse poder político-econômico que rege os projetos de desenvolvimento.

Para a mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, este cenário favorece o crime organizado nas áreas remotas do país. Maristela Crispim citou como exemplo o assassinato do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, no Vale do Javari, região infestada de garimpo ilegal, município de Atalaia do Norte, Amazonas.

Desafios

Na esfera jornalística, Maristela Crispim relembrou o compromisso do jornalismo ambiental em denunciar as desigualdades. A palestrante comentou que pessoas marginalizadas são as que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas. De acordo com a jornalista, a falta de políticas públicas para garantir educação ambiental e moradias seguras é uma questão estrutural e socioambiental.  

No mesmo viés, ela comentou que “estamos muito distantes de conseguir as coisas mais básicas, como combater a fome e acessar a educação. Contudo, isso não deve ser preterido a proteger a nossa biodiversidade, porque está tudo interligado”. Para Crispim, o desafio da crise climática não é simples, mas pode ser enfrentado quando a população eleger políticos que priorizem a pauta ambiental.

Outro ponto abordado na conferência foi o papel do jornalismo ambiental diante do negacionismo. A palestrante enfatizou que os jornalistas têm a responsabilidade de facilitar a compreensão dos resultados das pesquisas científicas para que os públicos compreendam os impactos no dia a dia.  Crispim acredita que existe negacionismo climático porque há dificuldade de comunicação entre as todas as partes.

Recentemente a jornalista esteve no projeto Caravana Nordeste Potência que, durante os meses de agosto e setembro, percorreu 2.830 quilômetros do Baixo e Submédio Rio São Francisco a fim de mostrar como a região pode se desenvolver de forma menos impactante para sua biodiversidade. Crispim produziu uma série de reportagens positivas sobre a viagem e evidencia que o jornalismo ambiental deve ir além da editoria e mostrar também soluções. 

O V ENPJA, realizado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (UFRGS/CNPq) e pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), teve o apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS, do Curso de Jornalismo da UFSM/FW e do Curso de Jornalismo da UniRitter. Para assistir esta Conferência clique aqui e aproveite as demais gravações das mesas no canal do GPJA no YouTube.

 

 

* Júlia Barth é estudante de Jornalismo da UniRitter e teve a supervisão do professor Roberto Villar Belmonte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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