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Entrevista

Domingo, 16 de Setembro de 2012

 
     

Indústria do tabaco: ''O agricultor é o elo mais fraco da cadeia produtiva''

  

Entrevista especial com Paula Johns. “O tabaco é responsável por aproximadamente seis milhões de mortes evitáveis em todo o mundo”, informa a socióloga. Confira a entrevista.

  


Por IHU On-Line

“Existe todo um sistema instalado que vende a ideia de que a única cultura que gera renda no campo é a cultura do fumo. Esse debate é complexo e passa pela discussão sobre diversificação e autonomia de pequenas propriedades rurais”. É assim que Paula Johns (foto), socióloga da Aliança de Controle do Tabagismo – ACT, resume a “dependência” dos agricultores brasileiros pela cultura de fumo.

Nos últimos cinco anos o BNDES emprestou 336 milhões de reais para a agroindústria do fumo, e cerca de 22,4 milhões para os fumicultores diversificarem as culturas agrícolas. Esses dados demonstram, segundo Paula, uma situação complexa, onde há, de um lado, “uma indústria extremamente rica que controla toda uma cadeia produtiva e não quer interferência que possa vir a afetar o seu negócio e, de outro, milhares de agricultores familiares que gostariam de produzir alimentos em vez de fumo, mas que estão inseridos num contexto social dominado por essa indústria”. E dispara: “Hoje no campo, o agricultor tem muito pouca autonomia, não tem poder de barganha na negociação de preço e está dependente dessa cadeia produtiva”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Paula Johns comenta a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco – CQCT, acordo do qual o Brasil é signatário desde 2005, e assegura que “ao longo do processo de negociação da CQCT, o Brasil exerceu um papel de liderança internacional (...) e tem avançado em relação às políticas de proteção a saúde de não fumantes, como no caso das leis antifumo que vem sendo extremamente bem sucedidas e já trazem ganhos significativos para saúde de milhões de trabalhadores brasileiros”. Apesar dos esforços de combater o tabagismo, menciona, “muitas coisas ainda podem e devem melhorar, como a coerência interna do governo brasileiro em relação ao tema, principalmente no que diz respeito à interferência indevida dos interesses da indústria do tabaco nas políticas de controle do tabagismo”.

Paula Johns é socióloga e mestre em Estudos do Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Roskilde, Dinamarca. Em 2006, criou a Aliança de Controle do Tabagismo – ACT em prol da promoção e implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco no Brasil – CQCT.

A ACT é uma rede formada por diversas organizações, monitora o desenvolvimento do CQCT e seus protocolos no país, compara as análises anuais de identificação das principais medidas antitabaco que estão sendo implantadas e visualiza o grau de comprometimento do governo em relação a elas, acompanhando os diversos ministérios envolvidos na Comissão Interministerial para sua implantação. Também realiza audiências públicas, atividades de mobilização local em datas pontuais, envio de cartas aos legisladores e outras ações que objetivam proteger as gerações presentes e futuras das devastadoras consequências do consumo de cigarros, referente a fumantes tanto ativos como passivos.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco – CQCT surgiu para reduzir e prevenir o uso de tabagismo no mundo. Desde que ela foi assinada, é possível perceber algum avanço nesse sentido?

Paula Johns (foto) – Certamente. A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco – CQCT está alavancando a adoção de medidas de controle do tabagismo em todo o mundo. Vários países vêm adotando medidas de ambientes 100% livres de fumo, imagens de advertências nos maços, aumentando preços e impostos, restringindo ou proibindo completamente a publicidade, promoção e patrocínio de produtos do tabaco, entre outras. A medida mais avançada em termos de restrição da publicidade é a de embalagens genéricas para os cigarros adotada na Austrália e que entra em vigor em dezembro de 2012. A embalagem de cigarro é também uma forma de propaganda. Outros países como Noruega, Tailândia e várias províncias canadenses já adotaram a proibição da exposição das embalagens nos pontos de venda, os cigarros são colocados em gavetas ou armários fechados longe da vista de crianças e adolescentes.

O conjunto de medidas previstas na Convenção-Quadro vem contribuindo muito para a conscientização em relação aos impactos negativos do consumo de produtos derivados do tabaco e a consequente queda na prevalência de consumo entre os países que já implementaram essas políticas públicas de saúde. O tabagismo é o principal fator de risco para as doenças crônicas não transmissíveis, que são as doenças que mais matam no mundo hoje. Só o tabaco é responsável por aproximadamente seis milhões de mortes evitáveis em todo o mundo.

IHU On-Line – Como o Brasil tem se portado diante da Convenção-Quadro do Tabaco? O país considera as recomendações do acordo internacional assinado em 2005?

Paula Johns – Ao longo do processo de negociação da CQCT, o Brasil exerceu um papel de liderança internacional e começou a adotar algumas das medidas em negociação, como a adoção de imagens de advertência. Nos últimos anos também tem avançado em relação às políticas de proteção a saúde de não fumantes, como no caso das leis antifumo, que vêm sendo extremamente bem sucedidas e já trazem ganhos significativos para saúde de milhões de trabalhadores brasileiros.

O Brasil é pioneiro em relação à proibição de sabores e aromas nos cigarros, elementos que facilitam a iniciação no tabagismo entre os jovens. A Anvisa aprovou resolução em março de 2012. Ela entra em vigor em 2013. Esse é o exemplo de uma política de prevenção extremamente importante, uma vez que 60% dos adolescentes se iniciam no tabagismo através de cigarros com sabores, em especial os mentolados. O Brasil também conta com a criação da Comissão Interministerial para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco – CONICQ, que é um órgão composto por mais de uma dezena de ministérios e que tem como missão a boa implementação do tratado no país. Muitas coisas ainda podem e devem melhorar, como a coerência interna do governo brasileiro em relação ao tema, principalmente no que diz respeito à interferência indevida dos interesses da indústria do tabaco nas políticas de controle do tabagismo.

IHU On-Line – Em que países a fumicultura é mais rentável? No caso específico do Brasil, quais são os estados que mais plantam fumo?

Paula Johns – Essa questão da renda da fumicultura é um tema bastante complexo, pois não se pode descolar a questão da renda da qualidade de vida e da autonomia dos agricultores. Existem várias externalidades ambientais e muitas consequências à saúde de quem produz, fatores que não podem ser ignorados. No Brasil os estados que mais plantam fumo são os três estados da região sul.

IHU On-Line – Qual é a maior implicação da indústria do tabaco?

Paula Johns – A indústria do tabaco está fazendo o que pode para manter seu negócio o mais lucrativo possível, o que implica criar obstáculos em relação às medidas que possam vir a reduzir o consumo de seus produtos. O que é lucrativo para a indústria não é necessariamente lucrativo para os agricultores familiares que dependem do cultivo do tabaco para subsistência. A cadeia produtiva do fumo causa dependência de quem o cultiva, assim como a nicotina causa dependência em seus usuários. Isso é um bom negócio para a indústria.

IHU On-Line – Segundo notícias da imprensa, o BNDES emprestou 336 milhões de reais à agroindústria do fumo nos últimos cinco anos, e somente 22,4 milhões de reais para ajudar pequenos fumicultores a diversificar as culturas agrícolas. Como compreender esses dados e o incentivo público em empresas que produzem produtos que geram diversos problemas de saúde?

Paula Johns – Esse tema é complexo. De um lado, você tem uma indústria extremamente rica que controla toda uma cadeia produtiva e não quer interferência que possa vir a afetar o seu negócio e, de outro, você tem milhares de agricultores familiares que gostariam de produzir alimentos em vez de fumo, mas que estão inseridos num contexto social dominado por essa indústria. De certa forma, o governo se acomoda nesse cenário ao não adotar políticas públicas mais eficazes para atender à demanda desses agricultores.

IHU On-Line – Pode-se dizer que o Brasil tem uma política de incentivo à plantação de fumo? Quais são as medida que evidenciam esse incentivo ao setor?

Paula Johns – A resposta é sim. Os mecanismos de crédito existentes beneficiam a agroindústria do fumo. Há uma Câmara Setorial do Tabaco dentro do Ministério da Agricultura cujo objetivo é fomentar sua produção. O Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior é outro ministério que costuma se posicionar a favor da exportação de fumo. Existe uma série de incentivos fiscais para a indústria do fumo. Entre outros.

IHU On-Line – Apesar de reconhecerem os riscos e as implicações do fumo para a saúde, diversos agricultores alegam não ser possível abondar a produção agrícola de fumo. Por quais razões eles persistem nessa cultura? Ela é mais rentável?

Paula Johns – Existe todo um sistema instalado que vende a ideia de que a única cultura que gera renda no campo é a do fumo. Esse debate é complexo e passa pela discussão sobre diversificação e autonomia de pequenas propriedades rurais. No campo o agricultor tem muito pouca autonomia, não tem poder de barganha na negociação de preço e está dependente dessa cadeia produtiva. Pode ser fazer uma analogia com o fumante que deseja parar de fumar e não consegue; ele precisa de ajuda, o agricultor precisa de políticas públicas para o campo que viabilizem uma agricultura familiar que seja boa para as famílias produtoras. Isso vale também para a produção de alimentos. O agricultor é o elo mais fraco da cadeia produtiva.

IHU On-Line – Quais são as alternativas agrícolas para os agricultores que hoje se dedicam à plantação de fumo?

Paula Johns – Existem várias iniciativas isoladas que vêm trazendo resultados muito positivos para os agricultores. Você tem agricultores que se dedicam à produção de alimentos diversificada de base agroecológica com canais diretos de comercialização que rendem muito mais do que o fumo, além de representar uma maior qualidade de vida.

IHU On-Line/EcoAgência

  
  
  Comentários
  
luzi carlos pauli - 19/09/12 - 11:28
O povo brasileiro, tem que entender que, essa ACT-aliança controle TAbagismo, é uma entidade, ou melhor, uma ONG profissional, anti tabaco, que recebe dinheiro da Bloomberg dos EUA. Pois bem, os EUA, não assinaram nenhum acordo para controle de tabaco. Ok. Então, como exemplo, EUA,Zimbabwe e ARgentina, como exemplos, também não assinaram nenhum tratado para controle tabaco, só esperando os brasileiros, "muy inteligentes", restringirem o tabaco, para então, eles nos suprirem. Nós agricultores do fumo, somos o elo mais fraco?? mas como pode isso?? Fazem exatamente um mes, que fomos ao vice presidente - ao min.Agricultura e ao ministro do MDA, justamente para que, apoiem cada vez mais nós fumicultores. Como pode então, sermos o elo mais fraco??, pois o próprio Vice presidente ficou tão assustado com a dimensão do setor tabaco, que pediu urgente para o BC, rever a restrição do Pronaf ao agricultores, o que nesse momento, está em andamento. Ora, povo brasileiro, façam-me o favor, essa ACT é a mesma que espalhou em rede nacional, que o Brasil gasta 21 bilhoes anuais com os fumantes, porém, no site transparência, do Min.Saúde, o gasto total com saúde foi de r$ 24.156.471.722,22. Ora, então 90% do povo brasileiro, com doenças e ou óbitos, foi por culpa exclusiva do cigarro?? Só rindo mesmo, e muito. Uma terrível inverdade, ou então uma verdade enorme, ou seja, que só o imposto do cigarro, paga metade do que é gasto com toda a saúde do povo brasileiro. E o próprio Ministério da Saúde, informou que, se houver gastos com fumantes, é na ordem de R$ 300 milhoes ao ano. Porém, a imprensa insiste em se ater a essa ACT, que a própria EBC(Voz do Brasil - em Brasilia 19 hrs) questiona essa ACT, no site COluna Ouvidor. Qualquer um tem acesso. Portanto, muito cuidado com, divulgações dessa ACt, pois ela sendo entidade anti tabagista, EVIDENTE, que vai divulgar o que lhe bem interessar. Outra situação para ser bem analisada daqui para a frente, é essa realidade de maleficios do cigarro. Ora, o livro Risco e Cultura dos cientistas Aaron Wildavsky e Antropóloga Mary Douglas, comprovam que, os maleficios do cigarro, são um TREMENDO EXAGERO.; Já o processo nr. 583.00.1995.523.167-5, da justiça paulista, 19 vara civel, em laudo da medicina CONCLUSIVO, relata que, não foram encontradas causas unicas e necessárias de que cigarro seja o causador de cancer, tanto que, a partir desse laudo da MEDICINA, não autorizou nenhuma indenização a ex fumantes. Ora, Altamiro Carrilho, morreu de cancer de pulmão, nunca fumou - Niemeyer, 104 é fumante - Arno João Frantz, ex prefeito de Sta.Cruz, 90 anos, fuma desde jovem, e nunca foi parar em hospital - Helmuth Schmitt, 93 anos, ex chanceler alemão, fuma até hoje - Sid Watkinks, médico da F1 e amigo da Senna, morreu recentemente de velho aos 84 anos, tanquilamente, e fumou a vida toda. Obama, fumou por 30 anos e tem saúde até hj - Drauzio Varella, fumou por 20 anos, tá ai com saúde até hoje - Altamiro Carrilho, morreu de cancer de pulmão, NUNCA FUMOU. Portanto, tem muitas coisas a serem estudadas a fundo, principlamente o proprio Min.Saúde, DATASUS - CNM, informam que, de 2006 a 2010, foram a óbito 4625 fumantes, o que dividido, dá em torno de 925 obitos anuais. Agora, perguntamos, aonde estão as 200 mil mortes anuais pelo tabaco?:?: Se alguem ainda tem dúvidas, sugerimos ligarem para a própria CNM em Brasilia, telefone 61-2101-6000, e verifiquem com o responsável, como sofreram pressão dos anti tabagistas, para mudarem esses numeros, só que, sem chances, pois a CNM informou aos anti tabagistas, que eles devem provar que são mais mortes, o que nunca fizeram. Portanto, tudo o que aqui foi dito, é comprovado, nada aqui é chute nada aqui é inventado. Afinal, cade o contraditório?? Só vemos um lado falando, o lado dos anti tabagistas. E com isso, triplica o contrabando, e por atitudes como dessas ONgs, estão perdendo hoje, 3.5 bilhoes em impostos, por pura birra dessas entidades. Pedimo novamente... OLHO VIVO COM ESSAS ENTIDADES...
luiz carlos pauli - 19/09/12 - 11:32
Um adendo....Laudemir Mueller do MDA, informou que não existe nada que substitua a fumicultura. É utopia. Se plantarem outra cultura, o preço cai lá em baixo, e quebra toda uma cadeia. Avicultores levam calote - suinocultores levaram calote - moranguinhos são atirados no asfalto - sacas de arroz distribuidas de graça - leite jogados fora. Imaginem povo brasileiro, o que vai acontecer no campo, se esses fumicultores migrarem para qualquer outro tipo de cultura. É quebra na certa. E por fim, temos contato com chineses. Chineses fumam cada vez mais, querem o nosso tabaco. Portanto, só quem vai crescer no mundo, são os que seguirão a China. Reflitam bem, e não se iludam com falsas promessas.
Claudio D'Amato - 19/09/12 - 13:37
Bem, primeiro eu pergunto: 1) QUAIS SÃO EXATAMENTE AS ALTERNATIVAS que os fumicultores teriam, que lhes rendessse um retorno financeiro NO MÌNIMO IGUAL ao atuais; 2) O que têm a dizer sobre os latifúndios de soja, milho, algodão, e pastagens, que tanta devastação causaram ao cerrado e Amazônia; 3) Alguém aí já ouviu falar em LATIFÙNDIO DE FUMO? Essas lavouras de soja são industriais ou familiares? Outras perguntas que não lembro agora.
luiz carlos pauli - 19/09/12 - 14:56
Está em todos os jornais de hoje. RS, volta novamente ao 4 lugar em exportações. Esse fato, se deve, principalmente, pela exportação de tabaco, que foi exportado principalmente para os EUA(de onde vem o dinheiro da ACT). Vejam que é o tabaco, salvando nossa economia gaúcha. Gaúchos e brasileiros, muito cuidado, com a interferência dessa ACT, abram o olho, não podemos permitir que, estrangeiros venham aqui, ditar regras, e dizer o que devemos ou não fazer. Sugiro, visitarem o site da ACT-Aliança Controle Tabagismo e leiam tudo aquilo, e vejam o que é falta de liberdade e comunismo puro.
luiz carlos pauli - 20/09/12 - 09:11
POVO GAÚCHO E BRASILEIRO....Agora, pergunto:??: E se nós brasileiros, fundassemos uma ONG e nos instalassemos nos EUA, trabalhando contra a economia americana, o QUE VOCES ACHAM QUE ACONTECERIA???
Claudio D'Amato - 20/09/12 - 10:19
Pauli, eu gosto dos seus textos, exceto em UMA COISA. Não gosto que vce compare antitabagistas a comunistas. Comunista NUNCA FOI sinônimo de antitabagista, e muitos deles fumam. Ou também, é como dizer que todo ecologista é contrário a qualquer forma de desenvolvimento econômico. Mas penso que estamos plenamente de acordo contra a "dtadura do politicamente correto", isto é, contra o absolutismo das idéias "por um mundo melhor". Abraço. Nossa luta contra a IRRACIONALIDADE continua.
luiz carlos pauli - 23/09/12 - 11:21
Por fim, cuidado, esse cartel anti tabaco, como puderam perceber, é PODEROSO, pois o dinheiro da Bloomberg é que sustenta essa organização para quebrar a economia brasileira. Essa gente, conseguiu até entrar nos funcionários do MDA, enganando o próprio min. `Pepe Vargas, que agora, está lutando para o BC rever o Pronaf aos fumicultores, pois os funcionários do MDA, na CALADA DA NOITE, REPETIMOS, NA CALADA DA NOITE, enviaram solicitação ao BC, para restringir o crédito, e com isso, acabariam com 2.500 milhoes de empregos da noite para o dia. Portanto, cuidado, o CARTEL ANTI TABAGISTA, é poderoso.. e usam o nome da SAÚDE, para se promoverem.
  
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