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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

 
     

Porto Alegre: Um futuro para o Arroio Dilúvio

  

Em julho de 2011, nascia uma ideia que pretende modificar a concepção que temos hoje do Arroio Dilúvio, em Porto Alegre.

  


Por Patricia Valente, especial para a EcoAgência de Notícias

“Para certas pessoas, o mar é o lugar ideal onde os homens podem jogar tudo o que os incomoda e, assim, esquecer para sempre”. Essa foi a frase proferida por Jacques Cousteau, ex-diretor do Centro Oceanógrafo de Mônaco, durante o 1° Simpósio Nacional de Ecologia do Brasil em 1978. Parafraseando Cousteau, poderíamos dizer que o Arroio Dilúvio de Porto Alegre é hoje o lugar em que as pessoas jogam tudo o que não lhes interessa mais, os restos, os detritos, os esgotos, esquecendo-os lá, como se não fossem prejudicar o meio ambiente.

Falar no Arroio Dilúvio atual é pensar em uma faixa de rio extremamente poluída que corre bem no meio da Avenida Ipiranga. Um Arroio canalizado com aproximadamente 12 km de extensão, onde a cada ano 50mil metros cúbicos de terra e lixo são carregados pelas águas, o equivalente a 10 mil caminhões-caçamba, segundo dados do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP). Quem olha o Dilúvio agora não imagina que, no passado, essas mesmas águas eram límpidas, utilizadas em plantações e chácaras de leite. Pensar no córrego tornou-se tarefa multidisciplinar para engenheiros, arquitetos, biólogos, zoólogos e ambientalistas, visando um projeto de recuperação e revitalização das águas. A sociedade porto-alegrense, porém, não fica de fora das manifestações em prol do Arroio. A página criada na rede social Facebook “Eu quero o Arroio Dilúvio Despoluído e Limpo” tem cerca de 4 mil likes e 22 mil conversas referentes ao tema.

O Programa Pró-Dilúvio criado há 7 anos pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento, o Departamento Municipal de Águas e Esgotos, o DEP e o Viveiro Municipal, é uma tentativa de educar ambientalmente comunidades que vivem no entorno do Arroio. “Estão sendo desenvolvidas atividades de educação ambiental no Parque Saint Hilaire e em escolas municipais do entorno do mesmo, o plantio de mudas nas margens dos afluentes do Arroio para recuperar as matas ripárias, a análise das condições das águas e georreferenciamento das áreas de preservação e de risco no entorno do Parque”, aponta o coordenador do convênio e biólogo Rodrigo da Cunha da SMAM. O problema desse projeto, no entanto, é que as suas ações ocorrem primordialmente na área do Parque Saint Hilaire e não são visíveis na totalidade da bacia do Arroio.

Visando, então, melhorar a aparência física, os usos, as condições e a vida ao redor do Arroio Dilúvio em toda a sua extensão, um Protocolo de Cooperação foi assinado entre a Prefeitura da Capital, a de Viamão, a UFRGS e a PUCRS em dezembro do ano passado objetivando a restauração e recuperação da Bacia do Arroio Dilúvio. A ideia surgiu há aproximadamente um ano atrás (julho de 2011), em uma visita do governador do Estado e sua delegação à Coreia do Sul. O modelo-inspiração do programa é o córrego Cheonggyecheon em Seul.

Sob o título “Programa Bacia do Arroio Dilúvio – um futuro possível”, o professor e diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS – André Luiz Lopes da Silveira – apresentou os pontos positivos e negativos do projeto em palestra no dia 05 de junho na 28 ᵃ Semana do Meio Ambiente de Porto Alegre, que ocorreu na PUCRS. Ele destacou o fato de o córrego da capital coreana ter sido totalmente coberto para a construção de uma freeway elevada na década de 70; porém após uma revitalização em 2005, tornou-se área de lazer, atividades físicas e encontros sociais. As comparações entre o Cheonggyecheon e o Arroio Dilúvio mostraram que existe um futuro para o nosso arroio.

O Marco conceitual do programa, portanto, têm oito eixos de sustentação. A diretora do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais da PUCRS, Betina Blochtein, destaca o primeiro deles: “Se a gente quer ter água limpa, uma das primeiras coisas que se tem que trabalhar é o saneamento, porque aquilo é esgoto”. Serão trabalhados os aspectos de erosão e assoreamento; recuperação-preservação ambiental; educação ambiental; urbanização, habitação e paisagismo, desenvolvimento econômico e mobilidade urbana. A ordem exata do cronograma ainda não foi definida, porque o plano básico, pensando nas ações e nos tempos em que elas ocorrerão, está em fase de planejamento.

O professor André acrescentou ainda durante a palestra que a recuperação/revitalização do saneamento ambiental integrado para a gestão de águas, a renovação e reconfiguração de um tecido urbano e a reintegração deste corpo d’água à população dos municípios de Porto Alegre e Viamão deve estar em contexto com a ecologização do espaço urbano. Já Betina mostrou preocupação com a reaproximação das pessoas em torno das áreas do córrego. “O arroio, ao contrário do que a gente poderia imaginar, afasta as pessoas, porque tem mau cheiro, é sujo e feio”, disse ela. Os aspectos ambientais priorizam, então, a revitalização da flora e da fauna, a aproximação das pessoas à área e a preservação histórica enraizada nas proximidades dos locais de obras. Além de uma integração com a Orla do Guaíba.

A partir de agora o desenrolar do projeto depende da estipulação do cronograma, das licitações e dos recursos financeiros, para a execução das partes que tem maior urgência. Afinal, “a gente não pode pensar em projetos de 30/50 anos, a gente pode olhar para o futuro, mas não pode pensar que soluções vão chegar daqui a 100 anos, tem que ser pra logo, pra gente viver melhor. O futuro chegou”, enfatiza Betina.


Matéria elaborada para a disciplina Jornalismo Ambiental, FABICO/UFRGS, sob a orientação da Profa. Ilza Girardi.

 

Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais

  
  
  
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