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Unidades de Conservação

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

 
     

Gestão de áreas protegidas deve estar associada a amplo sistema nacional de conservação

  

O assunto foi tema da palestra que o renomado especialista James Barborak apresentará no VII CBUC. Em relação ao Brasil, ele destaca que o país precisa ampliar urgentemente o uso e a apreciação das áreas protegidas pela população.

  


Por Maria Luiza - NQM Comunicação

O modelo ideal de gestão das áreas protegidas é aquele que está inserido num rigoroso e amplo sistema nacional, que engloba todas as categorias de manejo, desde as mais restritas destinadas à proteção de áreas frágeis até as reservas que permitem o uso sustentável dos recursos naturais. Essa é a opinião de James Barborak, diretor do Centro de Treinamento e Manejo de Áreas Protegidas da Universidade do Estado de Colorado, dos Estados Unidos.

Barborak foi um dos palestrantes no VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), no painel “Modelos e mecanismos de gestão de áreas protegidas”. O VII CBUC é realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza,no Centro de Convenções de Natal (RN), e será encerrado amanhã.

Para Barborak, além de um amplo sistema nacional que defina critérios de proteção, as áreas protegidas devem ter processos e regulamentações que permitam o seu uso e manejo adequados, possibilitando o desenvolvimento econômico dessas unidades e das regiões ao seu redor.

Em relação ao Brasil, Barborak afirma que o país precisa ampliar urgentemente o uso e a apreciação das áreas protegidas pela população, principalmente daquelas próximas aos grandes centros. “As áreas protegidas dos Estados Unidos, federais e estaduais, recebem um número anual de visitantes centenas de vezes maior do que as do Brasil”, compara. Segundo Barborak, para tornar as áreas protegidas mais próximas da população e, com isso, incentivar a conservação das mesmas, é necessário melhorar a infraestrutura básica para o turismo, trilhas e acessos das áreas naturais brasileiras.

Confira a entrevista concedida por Barborak à Fundação Grupo Boticário.

 

1 - Do seu ponto de vista, como garantir que a conservação de parques e outras áreas protegidas não seja afetada negativamente pelo crescimento econômico das áreas ao redor? Como controlar essa situação?

Barborak: A melhor forma é implementar processos e regulamentações que permitam o uso adequado da terra e das áreas marinhas, feito de forma participativa e considerando os diferentes usos do solo, tais como agricultura, pecuária, mineração e urbanizado. No caso de as terras que cercam as áreas protegidas serem de propriedade particular, devem ser providenciados incentivos para os proprietários de forma que executem uma boa administração da terra. Quando não se sabe quem é o proprietário, é necessário realizar uma pesquisa minuciosa para identificá-lo, pois esse fato gera diversos problemas, como invasões, falta de acesso a crédito, entre outras coisas.

 

2 - O que se pode fazer para conservar as áreas protegidas e ao mesmo tempo ter algum benefício econômico com elas?

Barborak: As áreas protegidas não devem ser vistas como intocáveis para o desenvolvimento, mas devem ter regimes especiais de gestão para garantir uma utilização sustentável de seus recursos, tanto direta como indiretamente. É necessário que a sociedade e também os formadores de opinião entendam os benefícios que as áreas protegidas geram à população, de forma local, nacional e global, tais como: fornecimento de água limpa para a irrigação, geração de energia e uso urbano, sequestro de carbono, prevenção de desastres naturais e promoção do ecoturismo; elas ainda servem de berçário natural para peixes e são laboratório “natural” para pesquisas e educação. As áreas protegidas que permitem a utilização direta de seus recursos devem promover, da mesma forma, o uso sustentável da madeira e de produtos florestais não madeireiros, dos recursos pesqueiros, dentre outros.

 

3 - Qual é o melhor sistema de gerenciamento para as áreas protegidas? Existem outros modelos bons no mundo?

Barborak: Não existe um modelo de sistema de manejo de áreas protegidas que seja o melhor. Todas as diferentes categorias de manejo precisam fazer parte de um amplo sistema nacional de áreas protegidas, que vão desde uma rigorosa proteção de florestas em áreas frágeis e singulares, parques nacionais com turismo, até reservas de desenvolvimento sustentável com manejo ativo da fauna e flora. Estudos comparativos pelo mundo mostram que as áreas protegidas que envolvem ativamente os stakeholders no planejamento e gerenciamento, têm melhores resultados em longo prazo. Esses stakeholders incluem diferentes níveis de governantes, proprietários vizinhos, cientistas, ativistas ambientais e o setor empresarial. Quando se envolve o setor privado, como guias locais e importantes empresas de turismo, o governo fica livre para focar em outros assuntos como proteção, pesquisa e educação, e esse setor pode prestar um serviço de qualidade aos visitantes. É preciso ressaltar que para um país grande como o Brasil, é importante desenvolver áreas nacionais de proteção, mas também sistemas estaduais e municipais, bem como promover a conservação de áreas privadas e indígenas. Finalmente, um sistema de áreas protegidas de sucesso requer uma boa estratégia financeira e um fluxo constante de recursos vindos de diferentes fontes, que incluem valores de ingresso, concessionárias, pagamentos por serviços ambientais, doações, orçamentos governamentais, royalties de vendas de madeira e outros produtos.

 

4 - Como é possível associar o desenvolvimento com a conservação de áreas protegidas?

Barborak: Existem muitas formas de manejo das áreas protegidas que produzem benefícios para a sociedade. O maior problema é que muitos desses beneficiários não estão cientes disso, a exemplo das populações das grandes cidades que têm energia elétrica, água potável, madeira e comida graças à conservação dessas áreas. A educação ambiental, tanto nas escolas quanto para a população em geral, é importante para que se forme desde cedo a consciência de preservação. O Brasil precisa ampliar urgentemente o uso público e a apreciação das áreas protegidas, principalmente daquelas próximas aos grandes centros populacionais. Para citar um exemplo, as áreas protegidas dos Estados Unidos, federais e estaduais, recebem um número anual de visitantes centenas de vezes maior do que as do Brasil, levando em conta que a região comparada possui nível populacional similar. Para tornar as áreas protegidas mais próximas da população e, com isso, incentivar a conservação das mesmas, é necessário melhorar a infraestrutura básica para o turismo, trilhas e acessos das áreas naturais brasileiras mais acessíveis, sejam elas administradas por ONGs, governo local, órgãos federais ou estaduais. As pessoas não costumam dar apoio às coisas de que não têm conhecimento prévio.

NQM Comunicação/EcoAgência

  
  
  
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