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Jornalismo Ambiental

Terça-feira, 21 de Agosto de 2012

 
     

Jornalistas goianos debatem o desenvolvimento com sustentabilidade

  

Uma das painelistas do congresso dos jornalistas goianos, a diretora do Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ/RS) e professora da UFRGS, Ilza Girardi, falou sobre as decepções havidas com as decisões tomadas durante a Rio+20.

  

Vilmar Berna (e) e Ilza Girardi foram palestrantes


Por Alexandre Assis, para a EcoAgência de Notícias

As mudanças climáticas em curso estão tornando os padrões globais de produção e consumo insustentáveis. O alerta foi feito pelo jornalista Washington Novaes, especialista em meio ambiente, durante a conferência de abertura do 6º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás, realizado dias 17 e 18 de agosto, em Goiânia. O encontro, preparatório para o Congresso da Fenaj, que será realizado em Rio Branco-AC, em novembro, teve como tema central Jornalismo e Desenvolvimento com Sustentabilidade.

O encontro teve a participação de jornalistas profissionais e estudantes, com painéis reunindo especialistas de renome internacional. Na abertura, o presidente Cláudio Curado, do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, promotor do evento, ressaltou a importância do tema para a atualidade. “Estamos vivendo o momento de decidirmos o que fazer com o meio ambiente para as gerações futuras”, disse.

Conferencista de abertura do 6º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás, realizado dias 17 a 18 de agosto, em Goiânia, o jornalista Washington Novaes fez uma apresentação alarmante da atual conjuntura ambiental, mas concluiu que é preciso tentar, para legar um mundo adequado para as futuras gerações. Segundo ele, se as emissões de gases que intensificam o efeito estufa continuarem no ritmo atual, durante este século a temperatura da terra se elevará entre 1,4 e 5,8 graus Celsius; o nível dos oceanos subirá entre 18 e 59 centímetros; secas, inundações e outros desastres aumentarão. “Para evitar que o aumento da temperatura vá além de 2 graus, será preciso reduzir as atuais emissões em 80%, mas elas continuam aumentando”, disse.

Novaes explicou que o problema central é que não existem instituições, nem regras universais, capazes de promover as mudanças necessárias na escala global. A Agência Internacional de Energia prevê que serão necessários investimentos de US$ 45 trilhões nos próximos 15 anos em novas fontes de energia. “As reuniões de convenções da ONU exigem consenso para tomar decisões, o que é dificílimo, por causa dos interesses contraditórios”.

Para o Brasil, o cenário não é mais animador. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ao longo deste século, haverá aumento de 6 a 8 graus na temperatura na Amazônia; no Centro-Oeste, o aumento será de 3 a 4 graus, ambos com influência nas outras regiões, com uma possível perda de 20% a 25% nos recursos hídricos do semiárido.

Rio+20

Painelista do congresso dos jornalistas goianos, a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ilza Girardi, falou sobre as decepções havidas com as decisões tomadas durante a Rio+20. “Parece que o próprio movimento ecológico está deslocado de suas bases”. Fazendo uma análise da cobertura midiática do encontro, Ilza detectou que as notícias da Rio+20 tinha um enfoque mais político-econômico do que ambiental.

Para Ilza, a imprensa precisa provocar o debate das grandes questões ambientais e pensar na mudança da prática. Segundo ela, é necessário promover uma mudança no comportamento das pessoas. “Se eu aprendo com os meus pais que não se deve jogar papel no chão, eu sempre vou seguir o conselho, é uma mudança cultural”, disse.

Outro painelista foi o jornalista Vilmar Berna, membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental. Ele definiu sustentabilidade como sendo a atividade que seja ao mesmo tempo ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável. “O problema é que, na prática, o econômico vem exageradamente em primeiro lugar, provocando um desequilíbrio total. O correto seria o inverso, com ênfase no ambiental e social e, por último, mas sem desprezá-lo, o econômico.

Berna também discorreu sobre as dificuldades de se atuar como jornalista ambiental, justamente porque esse profissional bate de frente contra o poder econômico. “Disso decorre uma série de problemas para o jornalista, que vai desde a dificuldade em levar adiante uma pauta até o enfrentamento de ameaças de sua integridade física”, aponta. Para ele, o jornalista ambiental é diferente de outras categorias, pois precisa participar ativamente das ações ambientalistas. “Seu comportamento pode influenciar no resultado das ações, por isso não existe imparcialidade para o jornalista ambiental. Ele deve, sim, ouvir todas as partes, mas não há como ficar à margem da causa ambiental”, sustentou.

A legislação ambiental e, em especial o Código Florestal recentemente aprovado, foi o tópico de discussões apresentado pelo promotor de justiça Vinícius de Castro Borges, membro do Núcleo de Apoio Técnico do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do Ministério Público de Goiás, durante o 6º Congresso dos Jornalistas de Goiás.

O representante do Ministério Público prevê dificuldade na fiscalização da aplicação do código, citando como exemplo uma lei em vigor desde 1965, que determinava às emissoras de rádio e televisão que dedicassem ao menos cinco minutos semanais à questão do meio ambiente, o que nunca ocorreu de fato.

Para o promotor, o código é inconstitucional em muitos dos seus dispositivos, ao não se basear em estudos científicos em diversas questões, deixando de garantir um meio ambiente equilibrado. Vinícius Borges afirmou que o Ministério Público, em vários estados e na União, está promovendo estudos para propor ações diretas de inconstitucionalidade para retirar do código esses pontos prejudiciais ao meio ambiente.

Biomas

Presidente do Instituto do Trópico Subúmido, o professor da PUC-Goiás Altair Sales falou sobre a preservação dos biomas com um alerta: “O cerrado atingiu seu clímax evolutivo e, uma vez destruído, não se recupera jamais na plenitude de sua biodiversidade”. Ele relatou os grandes eventos geológicos que provocaram alterações importantes na Terra, apontando que o cerrado, com cerca de 70 milhões de anos de idade, é o mais antigo ambiente que surgiu depois desses acontecimentos.

Sales também mostrou que o interesse econômico influencia diretamente na depredação do meio ambiente. “Os maiores destruidores da natureza, que são as grandes corporações, ficam sempre impunes, pois contam ao seu lado com a Justiça, os governos, a política e até mesmo a mídia, ainda que veladamente”, disse. Sobre a imprensa, Sales afirmou que é preciso mais interação e senso crítico na cobertura das questões do meio ambiente. “Mas esse é um problema da sociedade como um todo e não apenas da imprensa”, contemporizou.

A jornalista Rosângela Aguiar contou a experiência do programa Trilhas do Brasil, que está no ar há onze anos em Goiás. Segundo ela, o programa procura mostrar o que está errado, sem usar de sensacionalismo, ao mesmo tempo em que aponta as soluções para os problemas. “Uma cobertura voltada ao meio ambiente deve mostrar a conjuntura, com todas as implicações ali contidas”, disse. Rosângela também afirmou que o jornalismo deve trazer para a realidade local os problemas globais e vice-versa. “É um equívoco apresentar as questões com conceitos simplistas, com o denuncismo vazio”.

O jornalista Efraim Neto, membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, apontou que, na cobertura do meio ambiente, a notícia é, muitas vezes, somente a repetição de informações do que está sendo divulgado. “O jornalismo do futuro passa pela cobertura local. As soluções de outras localidades nem sempre servem para a nossa região”, disse.

Fazendo uma comparação com o jornalismo esportivo, Efraim disse que gostaria ver o meio ambiente ocupando os espaços e tendo uma cobertura completa e constante sobre os mais variados aspectos, como tem o esporte. Ele também apontou como necessidades para o jornalismo ambiental, uma formação profissional e acadêmica específica e, principalmente, coragem e comprometimento com a causa.

Acre

Durante a plenária final do 6º Congresso dos Jornalistas de Goiás foram aprovadas oito teses propostas pela Fenaj e que serão levadas ao 35º Congresso Nacional dos Jornalistas, que será realizado de 7 a 11 de novembro em Rio Branco-AC, com o tema "Os desafios do Jornalismo e sua Contribuição para o Desenvolvimento Sustentável". São elas: Conjuntura nacional e internacional – crise do capital reforça a necessidade de transformações sociais no Brasil e no mundo; A democratização da comunicação e o papel protagonista do movimento sindical dos jornalistas; Jornalismo e meio ambiente – além do jornalismo ambiental, jornalismo para a sustentabilidade; Formação, regulamentação e Conselho Federal dos Jornalistas: resgatar conquistas e avançar; Em defesa do Piso Nacional dos Jornalistas e do direito ao trabalho digno; Saúde e segurança dos jornalistas devem ser de responsabilidade compartilhada; e Código de Ética deve orientar a conduta profissional dos jornalistas.

Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais

  
  
  
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