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Terça Ecológica

Sexta-feira, 29 de Julho de 2022

 
     

A monocultura que ameaça toda a heterogeneidade pampiana

  

Coalizão pelo Pampa mostra alinhamento entre os saberes dos povos e o conhecimento especializado: salvar o bioma exige cumprir os percentuais de Reserva Legal e de áreas protegidas, e apoiar as atividades sustentáveis ligadas ao bem viver local

  

Reprodução    


Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

A Terça Ecológica do Núcleo de Ecojornalistas (NEJ-RS) ouviu, nessa semana (26/07/2022), integrantes da Coalizão pelo Pampa a respeito da “Carta aberta à sociedade gaúcha pela proteção do Pampa”, lançada em primeiro de julho e portadora de diretrizes para salvar o bioma do Rio Grande do Sul da extinção. Os autores da Carta estão percorrendo as instâncias dos poderes públicos em busca do aceite das autoridades e gestores para o diálogo, a compreensão do problema e a adoção das propostas de ações.

Para a professora da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS, campus Santana do Livramento), Adriana Trevisan, e o pecuarista familiar que, atualmente, coordena o Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, Fernando Aristimunho, que representaram a Coalizão nessa Terça Ecológica, o desafio para impedir a extinção do Pampa é enxergar as interdependências entre as características ecológicas do bioma e as sociedades nele localizadas. Os povos e as comunidades tradicionais convivem harmoniosamente há séculos com as práticas econômico-produtivas alicerçadas nos saberes repassados geração a geração. Já as comodities, onde a soja se destaca mais recentemente, sobrepõe-se ao território com o emprego de outros saberes, de outros insumos e, dessa maneira, dificultando e impedindo o bem viver local.

A Carta traz esclarecimentos fundamentais para a compreensão e a adoção das diretrizes. “O Pampa é diversidade florestal, de recursos hídricos, de solos e de usos, mas a sociobiodiversidade está invisibilizada. A legislação precisa ser cumprida, como o preenchimento do Cadastro Ambiental Rural e o respeito aos 20% de Reserva Legal na propriedade. Em outros biomas esse percentual mínimo de conservação e de restauração é respeitado, por que no ambiente campestre seria diferente?” referiu, Adriana Trevisan, sobre a visão equivocada que alguns setores insistem sobre “uso consolidado” de áreas de pastagens naturais pampianas, que de fato são remanescentes de campos nativos conservados pela pecuária. Isso significa que o ato de suprimir essa vegetação através do plantio de soja, por exemplo, implica o mesmo ônus decorrente da aplicação da Lei 12.651/2012 de Proteção à Vegetação Nativa (LPVN), quando o bioma é florestal, como a Mata Atlântica ou a Amazônia. Já a pecuária realizada sobre a vegetação campestre nativa com o manejo adequado é permitida na Reserva Legal por já se ter comprovado a conciliação dessa atividade econômica com os ecossistemas campestres.

A biodiversidade campestre é tão rica quanto a florestal, por isso as leis vigentes e os acordos internacionais assinados pelos governos, estabelecem percentuais mínimos de preservação de todas as fisionomias e, também, de áreas protegidas ou Unidades de Conservação. Nesse quesito, o estado gaúcho é o mais atrasado do país. “É preciso colocar em uso o Zoneamento Econômico Ecológico, instrumento que contém as informações necessárias a gestão do território”, ressaltou, a professora Adriana, sobre um dos caminhos arrolados na Carta para alcançarmos a resiliência dos ecossistemas sulinos no contexto da emergência climática.

Conforme os palestrantes, a Carta traz o apelo para a valorização do manejo sustentável sobre os recursos da biodiversidade. “As comunidades rurais tradicionais da pecuária familiar, precisam de condições para agregar valor às atividades produtivas, exemplo, através de abatedouros de pequeno porte, comunitários ou municipais, para que haja a venda direta, numa cadeia curta,” destacou o representante do Comitê, entre as propostas contidas no documento da Coalizão pelo Pampa.

“As pessoas que vivem nos territórios conservando os ecossistemas, merecem ser ouvidas. Sofremos os efeitos negativos dos retrocessos na legislação ambiental e de direitos já assegurados,” disse Aristimunho, ao citar os tópicos da Carta sobre a regularização e a proteção dos territórios dos povos bem como o repúdio à tese do marco temporal que continua em trâmite no Supremo Tribunal Federal.

O tema da infraestrutura é abordado de várias formas na Carta. Aristimunho salientou a falta de acesso à água, ainda mais em tempo de mudanças climáticas, que se agrava na ausência de políticas que, efetivamente, enfatizou, viabilizem as condições necessárias aos habitantes das regiões do estado. Igualmente em relação ao Turismo, sem forçar uma padronização e respeitando, entre outros, os modos de vida e os hábitos alimentares locais.

Esta Terça Ecológica foi mediada pela coordenadora do NEJ-RS, professora Ilza Girardi, e a transmissão ficou a cargo da associada Débora Gallas. Devido a importância do tema, a Terça Ecológica de agosto, dia 30, também vai tematizar o documento da Coalizão pelo Pampa, que o Núcleo de Ecojornalistas também integra. A presença do professor da UFRGS Valério Pillar, coordenador da Rede Campos Sulinos, já está confirmada como palestrante.

A “Carta aberta à sociedade gaúcha pela proteção do Pampa” pode ser lida na íntegra aqui. Quem perdeu a transmissão ao vivo da Terça Ecológica, pode acessar este link da EcoAgência no Youtube.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EcoAgência

  
  
  
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