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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
  
O fim do futuro do Bioma Pampa

Depois da Revolução Verde, do Próvarzea e do Capim Annoni, os milagreiros apresentam uma nova solução mágica para os problemas da Metade Sul, o monocultivo de eucaliptos.

  
Por Jânio Alberto Lima
  

De  décadas em décadas com apoio dos nossos governantes aparecem os milagreiros apresentando soluções mágicas para resolver os problemas econômicos enfrentados em nossa região. Na metade do século XX surgiu a REVOLUÇÃO VERDE, que acarretou uma mudança nos padrões agrícolas, deixando conseqüências ambientais profundas tais como: a erosão, a perda da fertilidade do solo, a destruição florestal, a dilapidação do patrimônio genético, a contaminação dos solos, da água, dos animais, do homem do campo e dos alimentos.
 
A seguir surgiu no cenário uma nova promessa: o “PRÓVARZEA”, que incentivou o esgotamento dos nossos banhados para as lavouras de arroz, esquecendo o papel importante que o mesmo exerce. Para alguns estes ambientes não passam de meros criatórios de mosquitos e sanguessugas. Vivem no mundo da lua ou não sabem que os banhados exercem na natureza um importante papel e que são responsáveis pela sobrevivência do  ecossistema vizinho.
 
Após estas tentativas desenvolvimentistas frustradas, insanas e com a finalidade de obter lucro a qualquer custo, aparece outro iluminado, o famoso CAPIM ANNONI, que veio como solução para servir de pastagens e hoje tornou-se a maior praga do pampa gaúcho.
 
Surgem agora outros milagreiros falando em nome do desenvolvimento regional. A moda agora é a implantação do cultivo da monocultura do eucalipto na Metade Sul do Estado. Vendem o sonho de lucros astronômicos para os pequenos e quase falidos produtores rurais, pois alegam e convencem que pela grande disponibilidade de terras, clima favorável, chuvas constantes e boas disponibilidades de ferrovias e rodovias.
 
Pintam uma nova perspectiva de desenvolvimento para região há muito tempo estagnada,  mas omitem informações importantes sobre os malefícios que o cultivo de eucalipto trás como: perda da biodiversidade, o esgotamento hídrico, o uso indiscriminado de agrotóxico, as mudanças climáticas, além da descaracterização e desvalorização do Bioma Pampa.
 
Seremos cobaias em uma experiência a mais? Pois sabemos das experiências drásticas no Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e África do Sul onde ninguém quer se quer ouvir falar em eucalipto, pois lá a implementação deste tipo de monocultura causou danos incalculáveis e irreparáveis ao meio ambiente (pois o eucalipto consome muita água em media 40 mil litros por tonelada de celulose). E quem arca com as conseqüências? Quem são os responsáveis por todas estas perdas?
 
É importante deixarmos bem claro que os governantes passam, mas a comunidade permanece. Cabe fazermos uma reflexão: o que deixaremos como herança para as gerações futuras? É evidente que neste mundo globalizado as empresas multinacionais lançam mão dos mais diferentes artifícios para conseguirem seus objetivos, prometem inúmeros empregos, quando a realidade é outra, sendo a maioria dos empregos gerados insalubres, temporários e semi-escravo.
 
Estas multinacionais se apresentam como a solução dos problemas: exemplo claro é o caso da maior produtora de papel do mundo a Sueco - Filandesa STORA “TUDO” ENSO enganando a todos, pois já não são aceitas em países e regiões com o mínimo de consciência ambiental, além de levarem a matéria-prima deixam um enorme passivo ambiental.
 
Não sabemos como existem ainda administradores públicos e técnicos ditos protetores do meio ambiente com “louvável interesse” sócio-econômico  que defendem com unhas e dentes estes MILAGREIROS e assim acabam decretando o “FIM DO FUTURO DO BIOMA PAMPA”.

O autor é ambientalista de Alegrete, Rio Grande do Sul

  
             
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