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Terça-feira, 02 de Dezembro de 2008
  
A importância da participação dos jovens no jornalismo ambiental

Nos atuais meios de comunicação vemos o que chamam de “mídias jovens” tratarem a juventude apenas como “audiência” e, segundo a Agência de Notícias dos Direitos da Infância, no Brasil somente 5,11% das fontes das notícias são jovens.

  
Por Efraim Neto
  

A partir do momento em que compreendemos o meio ambiente como “o lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais estão em relações dinâmicas e em interação e que essas relações implicam em processos de criação cultural e tecnológica e em processo históricos e sociais de transformação dos do meio ambiente natural e construído” [1] , a comunicação, em suas diferentes linguagens e suportes, pode potencialmente auxiliar no processo de orientação de conduta, decisões, estratégias e ações em benefício de uma melhor compreensão do campo científico e ambiental. E admitindo a perspectiva de que a ciência abriga diversas dimensões da sociabilidade, estando intimamente ligada, em seu sentido mais amplo, a própria noção de qualidade de vida, de bem comum e de direito social e ao desenvolvimento tecnológico e científico, não podemos abdicar do poder da comunicação para edificar o efeito desta proposta.

Neste sentido, apontamos que a participação da juventude nos processos de construção de uma comunicação, em especial do jornalismo ambiental, direcionada para a juventude é de fundamental importância para que os jovens tenham uma maior compreensão da importância de um ambiente de qualidade e sustentável.
 
Com a perspectiva de que a juventude faz parte de um contexto de modificações sociais e de que os meios de comunicação são um campo social específico, detentora de poder, interesses, instituições e atores que disputam posições no jogo das interpretações da realidade, a comunicação construída por jovens deve ser estimulada a trabalhar nas áreas que temos sinalizado em parágrafos procedentes e nas temáticas tais como, a ciência, o meio ambiente e a saúde, com a finalidade de que novos jovens sejam sensibilizados a consumir uma informação direcionada para eles e que tenham por finalidade a educação para a sustentabilidade.
 
Neste sentido, se queremos lograr uma comunicação que colabore em benefício da sociedade jovem e que seja uma ferramenta fundamental que proporcione consciência na população e nos jovens, é necessário que todos os atores estejam envolvidos neste processo, atores tais como: pesquisadores, profissionais do campo científico, gestores públicos, jornalistas e outros comunicadores. Talvez este seja o caminho mais fácil para medir de que forma a aplicação do conhecimento nos veículos de comunicação é diretamente proporcional à qualidade de vida da sociedade[2]. E como demonstra diversos estudos empíricos no Brasil e no Mundo, é mais do que necessário criar um sistema onde todos participem do processo de difusão de uma comunicação para os jovens.
 
A juventude é a fase da vida marcada pelas ambivalências. Os projetos do futuro que são construídos pelos jovens encaixam perfeitamente no que chamamos de Desenvolvimento Sustentável, sendo o caminho que muitos jovens traçam para alcançar seus sonhos é o da Educação Ambiental, área que tem se tornado o meio de expressão e manifestação do desejo de atuar e participar. Vivenciar, desenvolver e compartilhar processos transformadores a partir da educação ambiental e do jornalismo ambiental mantém a chama da esperança acendida e possibilita reflexões para a construção de mudanças.
 
Entendo a sustentabilidade como “a possibilidade de se adquirirem continuadamente condições iguais ou superiores da vida para um grupo de pessoas e seus sucessos em u dado ecossistema (...) basicamente, se trata do reconhecimento de que é biofisicamente possível em uma perspectiva de longo prazo[3]”, e percebendo de que a inquietude da juventude com relação ao seu futuro, o jornalismo ambiental feito por jovens para os jovens se propõe com uma ferramenta de todas as sociedades e que a partir disso seja possível a formação de um novo paradigma – subjetivo – que pode ser um instrumento para uma melhor qualidade de vida.
 
Nos atuais meios de comunicação vemos o que chamam de “mídias jovens” tratarem a juventude apenas como “audiência” e, segundo informa a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI, 2005), no Brasil somente 5,11% das fontes das notícias são jovens. Por este sentido, é mais do que importante que os jovens participem do processo de construção das notícias ambientais, onde teríamos uma maior participação dos jovens em todos os processos de construção e cobertura da notícia. Somente assim será possível desenvolver um jornalismo para a sustentabilidade.
 
Neste cenário de grandes mudanças sócio-econômicas-ambientais, a juventude aparece neste momento com a responsabilidade de promover um habitat mais equitativo, configurando a civilização e as atividades humanas de maneira que a sociedade, em suas mais diversas gerações possa “suprir as necessidades das gerações atuais sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Como o jornalismo trata da vida cotidiana, tendo como foco as singularidades dos fatos para construir suas notícias, não é de estranhar que a saúde e o meio ambiente tenham presença consideráveis na cobertura nos meios de comunicação e sejam temáticas tão presentes entre os jovens. Por isso, é muito importante que todos os jovens juntos possam construir uma comunicação que tenha como objetivo um discurso jovem para os jovens, onde sua finalidade seja as articulações para a reformulação do comportamento dos jovens em relação à crise ambiental existente.
                         
Como desafios para essa compreensão e construção, já que reconhecemos o papel que os meios de comunicação exercem sobre nossa sociedade, apontamos a importância em direcionar essa influência nas construções de valores, mentalidades e atitudes, além de observar a capacidade dos meios de comunicação em estimular o desenvolvimento de uma visão crítica e de uma postura participativa para as questões que envolvem os jovens, sendo os jovens os agentes da mudança da informação participativa, através do jornalismo ambiental direcionado para os jovens, em que os jovens escrevam para o jovem.
 
Por tanto, a juventude é um instrumento muito importante no que se refere à promoção e difusão de práticas educativas e o poder dos meios de comunicação. Neste sentido, a utilização de uma informação feita pelos jovens para os jovens é fundamental, não só para realizar os diagnósticos, mas também para decidir estratégias, que são fundamentais para as mudanças sociais e a geração de uma sociedade sustentável.
 
Somente assim será possível atingir um dos objetivos do Capítulo 40 da Agenda 21: “É necessário fortalecer os mecanismos nacionais e internacionais de processamento e intercâmbio da informação e de assistência técnica conexa, a fim de assegurar uma disponibilidade efetiva e igualitária da informação produzida nos planos local, estadual, nacional e internacional, dependente da soberania nacional e ao direito de propriedade intelectual relevantes” (40.19)[4].
 


[1] REIGOTA, Marcos. Meio Ambiente e Representação Social – 5º Ed – São Paulo, SP : Cortez, 2002.
[2] FREITAS, Carlos Machado de; PORTO, Marcelo Firpo. Saúde, Ambiente e Sustentabilidade. Rio de Janeiro : FIOCRUZ, 2006.
[3] CAVALCANTE, Leia Clóvis. Sustentabilidade da Economia: Alternativa de realização econômica, 1998, p 165.
[4] UNEP. Agenda 21.
  
             
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